segunda, 06 de abril de 2020 - 08:19:26 PM
Lucio Jaques
Atendimento saúde
PUBLICADA EM 25 de março de 2020 - 4:48 PM

‘Para concordar com Bolsonaro, tem que ser alienado’, diz Major Olimpio

Imprensa contra3

 

Aliado de primeira hora, líder do PSL no Senado ficou perplexo com pronunciamento público: ‘Não dá para continuar em um barco que rema contra a maré’

O senador Major Olimpio (PSL-SP) afirmou, nesta quarta-feira, 25, que ficou perplexo com o discurso do presidente Jair Bolsonaro na noite da terça-feira 24, no qual se referiu ao coronavírus como “resfriadinho” e criticou governadores e a cobertura da imprensa. Na avaliação do líder do partido no Senado, “tem que ser alienado para concordar com Bolsonaro”.

“Fiquei perplexo no momento. Hoje de manhã, o presidente insistiu nos erros de sua manifestação de ontem, ficou pior ainda. Vi também essa ruptura do governador [de Goiás] Ronaldo Caiado com ele, e o destempero de Bolsonaro com os governadores. O presidente caiu muito fácil na armadilha do Doria, que manteve um discurso centrado, sereno, e conseguiu colocar todos os governadores contra Bolsonaro”, disse a VEJA.

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Além da insatisfação dos governadores, o clima no Congresso não é bom para o Executivo. De acordo com Major Olimpio, líder do PSL no Senado, nenhum dos líderes na Casa deixou de fazer críticas à postura do presidente da República. “Todos os líderes se manifestaram contra Bolsonaro, ninguém disse uma palavra em sua defesa. Afinal, não se justifica o injustificável. Dá para ser aliado, mas não alienado. Para concordar com Bolsonaro nesse momento, tem que ser alienado. O melhor que Bolsonaro poderia fazer era ouvir o seu ministro da Saúde, ficar em casa isolado e não falar nada”, afirma o senador.

Apesar da animosidade com o Parlamento, Olimpio garante que o Congresso não prepara nenhum tipo de contragolpe às declarações de Bolsonaro. “O posicionamento dos líderes é manter o compromisso com a agenda do país. Hoje, em meio à crise deflagrada pelo discurso, vamos votar duas MPs, um empréstimo ao governo de Alagoas. Essa é nossa melhor resposta. Temos 29 projetos relacionados ao coronavírus, não nos interessa acirrar ainda mais os ânimos. Estamos agindo como bombeiros. Se quiséssemos botar fogo no país, não seria difícil encontrar meia dúzia de líderes em cada Casa dispostos a aceitar a abertura de um processo de impeachment. Mas não apagaremos fogo com gasolina”, disse o senador a VEJA.

 

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