sábado, 08 de agosto de 2020 - 06:37:21 AM
Lucio Jaques
Reana Seguros
PUBLICADA EM 22 de maio de 2020 - 1:25 PM

Seis em cada 10 pessoas de SC com coronavírus foram infectadas após reabertura do comércio, há um mês

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Após portaria que liberou público em shoppings, academias e restaurantes, em 22 de abril, o Estado registrou 3.196 novos casos, 38% a mais que no período de restrições.Ao completar um mês nesta sexta-feira (22), desde a vigência da portaria, o saldo é de explosão de novos casos em Santa Catarina. Desde 22 de abril, quando começaram a vigorar as portarias 256, 257 e 258, pelo menos 3.196 novas pessoas passaram a registrar sintomas e foram confirmadas com covid-19 pelo governo do Estado.

Elas respondem por 58,11% dos 5.499 diagnosticados em SC até esta quarta-feira (20).O dado também é 38,7% maior do que o registrado pelo Estado entre 28 de fevereiro e 21 de abril. Nesse período, foram diagnosticados 2.303 casos. Os dados analisados pela reportagem são do governo do Estado e levam em consideração a data de surgimento dos sintomas de coronavírus nesses pacientes, e não a data do resultado dos exames ou divulgação dos novos casos. Isso permite se aproximar mais da data real do contágio, segundo especialistas. 

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tempo entre a infecção do indivíduo pelo novo coronavírus e o aparecimento dos sintomas varia de 1 a 14 dias, mas na maioria dos casos leva cerca de 5 dias.

Até o momento, o pico dos casos foi registrado entre 7 e 8 de maio, 15 e 16 dias após a liberação dos shoppings, academias e restaurantes, último grande movimento de flexibilização feito pelo governo do Estado, que já tinha liberado o  comércio de rua em 13 de abril. Foram 209 os pacientes que relataram sentir os primeiros sintomas no dia 7 de maio, e 204 no dia seguinte. Dos pacientes que relataram ter sinais de covid-19 após 22 de abril, 29 morreram.

A explosão de novos casos coincide com a queda do índice médio de isolamento da população de Santa Catarina, registrado pela empresa In Loco, que utiliza dados de GPS dos celulares para calcular o deslocamento dos usuários, o mesmo utilizado pela Polícia Militar de Santa Catarina.

Cidades chegaram a ter 14 vezes mais casos após

Entre os 179 municípios afetados pelo coronavírus até esta quarta-feira (20), 53 registraram mais da metade dos casos após a flexibilização ocorrida em 22 de abril do que haviam registrado no período compreendido entre o começo do surto e 21 de abril, quando havia mais restrições. Outras 42 cidades passaram a ter os primeiros casos após a data de maior flexibilização.

Das 13 cidades com mais de 100 mil habitantes de SC, seis tiveram mais casos após 22 de abril: Chapecó, Jaraguá do Sul, Blumenau, Palhoça, Itajaí e Balneário Camboriú. No caso de Chapecó, o município tinha registrado 40 casos no primeiro período e identificou 566 novos no segundo, ou seja, 14 vezes mais após o relaxamento das restrições. O Oeste é o epicentro de uma onda de contaminação que ganhou força no fim de abril, por conta dos casos nos frigoríficos da região.

Já em Blumenau, a taxa de novos casos após 22 de abril é 3,2 vezes maior do que os registrados até 21 de abril, mesmo índice de Jaraguá do Sul. Além desses, Navegantes teve seis vezes mais casos no segundo período, Concórdia teve 2,3 vezes a mais, e Palhoça 1,9 vez a mais.

Com mais restrições, Capital reduziu o ritmo de novos infectados

Florianópolis, no entanto, foi no sentido contrário. Dos 524 casos registrados até quarta-feira e divulgados pelo governo do Estado, apenas 98 foram registrados após 22 de abril. Uma das razões é o fato de a prefeitura ter mantido restrições mais rigorosas, mesmo após a portaria publicada pelo Estado liberando academias, restaurantes e centros comerciais.

A pedido da reportagem, os dados foram analisados pelos professores do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, Fabrício Augusto Menegon e Lúcio José Botelho. Na avaliação dos especialistas, os dados evidenciam que o relaxamento das restrições à circulação de pessoas potencializou o aumento de casos novos em Santa Catarina.

Botelho alerta para importância de não relaxar totalmente as restrições à circulação das pessoas até que os dados indiquem segurança para a retomada, sem correr o risco de ter que fazer novo isolamento nos próximos meses.

– Não há mais nenhuma dúvida, o isolamento é diretamente proporcional ao número de casos. Não fez isolamento, os casos explodem; fez o isolamento, a curva achata. A curva achatar significa que houve diminuição do número de pessoas infectadas naquele período. Quanto menos pessoas infectadas a gente tiver, menos capacidade de infecção nós vamos ter, mais rapidamente vamos terminar a pandemia. Quanto mais rapidamente terminarmos a pandemia, melhor será para a economia, porque a economia e a sociedade são organismos vivos e reagem. A economia não está tão ruim agora quanto estava no começo da pandemia, porque ela achou maneiras de reagir. E ela vai reagir quando as pessoas estiverem mais vivas e com mais saúde – argumenta Botelho.

Para Fabrício Menegon, ainda é importante avaliar como os números vão se comportar nas próximas semanas para ver se de fato o ritmo de novos casos vai se acentuar. Mas acredita que o relaxamento do isolamento social pode ter ocorrido cedo demais no Estado.

Menegon afirma que é preciso ter cautela na forma como as medidas de retomada gradual das atividades são comunicadas para a população, para não passar a ideia de que tudo voltou à normalidade.

– A gente observa que essa normalidade não existe, até porque a taxa de contágio ainda está muito alta no Brasil. Se essa curva continuar evoluindo da forma como está hoje, não será raro nas próximas semanas o governo resolver adotar uma medida novamente de fechamento de comércio ou isolamento. Aí, o nosso grande receio é o fato de que quando se relaxa as medidas e passa essa mensagem para a população, retomá-las na necessidade é muito mais difícil. O convencimento da população fica muito mais difícil quando já se adotou medidas de flexibilização – pontua Menegon.

NSC

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