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Lucio Jaques
App Sicoob
PUBLICADA EM 14 de janeiro de 2021 - 7:17 PM

Vidas em perigo: Caminhão do Corpo dos Bombeiros Autoescada Magirus não funciona

Alerta

O Corpo de Bombeiros de Santa Catarina adquiriu o caminhão Autoescada Magirus, há mais de dois anos, com a promessa de combater os grandes incêndios em edifícios de até 12 andares e salvar vidas que estivessem em perigo.

O caminhão Autoescada é usado para combater grandes incêndios, com segurança e eficácia, assim como o resgate de vítimas em grandes alturas, bem como apagar as chamas pelo ar com um esguicho aéreo de grande vazão. O Caminhão Autoescada com elevador é o que tem de mais moderno no combate a incêndios e resgate. Um equipamento para dar mais segurança aos bombeiros e às vítimas.

Mas na prática não é o que acontece, pois o único caminhão Autoescada do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, comprado 0 Km, nunca funcionou por completo e está parado no 1º Batalhão de Bombeiros Militar, em Florianópolis.

Segundo a denúncia de uma fonte, que prefere não se identificar, o caminhão está parado há dois anos, ou melhor, nunca funcionou. As sapatas não recolhem e já travaram na primeira operação que deveria ter sido realizada com o mesmo.

O caminhão é o único do estado do Corpo de Bombeiros Militar em condições de atender a um grande incêndio em um prédio de muitos andares. Ou seja, no caso de isto acontecer não teria como retirar as vítimas em prédios mais antigos, sem escadas enclausuradas. Só por rapel, o que coloca em risco a vida do praça. “Se der um incêndio no terceiro andar de um prédio, não podemos atender”, diz a fonte.

O Corpo de Bombeiros também não tem nenhum colchão inflável para atender a esta mesma situação.

Capacitação

O Corpo de Bombeiros investiu muito na capacitação e preparo de profissionais para operar o caminhão Autoescada Magirus. No ano de 2017, a convite da empresa alemã Magirus enviou dois representantes catarinenses que foram certificados pela Magirus Fire Fighting Academy pela conclusão do intercâmbio. No total foram 19 profissionais de vários estados que participaram de um intercâmbio tecnológico junto à fábrica da empresa, fabricante de implementos para veículos de bombeiros, na cidade de Ulm – Alemanha.

Este intercâmbio tinha como objetivo conhecer as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas na área de combate a incêndio, em especial quanto à montagem de veículos para bombeiros.

Instituição mais confiável

O Corpo de Bombeiros segue no topo do ranking como instituição mais confiável do País com 89 pontos em 2020 (88 em 2019), segundo o Índice de Confiança Social (ICS), medido pelo IBOPE Inteligência, pelo 12º ano seguido.

Mas a instituição mais respeitada pela população também tem seus problemas internos. Há sete anos, a corporação não tem reajuste salarial, não recebe hora extra, a escala de trabalho é desgastante e o stress muito grande.

Conforme a fonte, que prefere não se identificar, são sete anos de inflação e defasagem salarial. “Um descaso com o lado humano. Um desrespeito com o praça que se arrisca todos os dias. Nós trabalhamos com desgraças e não recebemos a valorização que merecemos”, afirma.

No último dia 29 de dezembro, o governador Carlos Moisés assinou decretos que majoram em 20% os ressarcimentos pagos aos guarda-vidas civis e bombeiros comunitários para as despesas com alimentação e transporte. As categorias prestam serviço voluntário para o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC).

Uma outra reclamação, já que a diária militar é de R$ 100,00 e dos guarda-vidas civil é de R$ 180,00. “Os guardas vidas receberam três reajustes em menos de três anos e os militares nada”, reclama.

Segundo a fonte, o descontentamento com Carlos Moisés é grande. “O governador não recebe os bombeiros e tem a caneta na mão para resolver os problemas, mas o que revolta é que o governador já viveu isso e virou as costas para nós”, se referindo à profissão de Carlos Moisés, que é Coronel da Reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.

Escala de trabalho 

Hoje, a escala do Corpo de Bombeiros Militar é de 24h de trabalho por 48 horas de folga, ou seja, o bombeiro realiza 80 horas semanais a mais por mês. Nossa fonte diz que o correto seria que a escala fosse atualizada para 24h de trabalho e 72h de folga. “Tem que motivar a tropa e uma escala valorizada reflete no trabalho lá na ponta”, garante.

Corporação

Nossa fonte, diz que outra questão que precisa ser revista é que hoje existe uma corporação e duas classes: os oficiais e os praças. “Para os oficiais é tudo e os praças trabalham por amor”, afirma.

Um exemplo, conforme a fonte, é que os praças pilotos, com horas de voo e aptos, não podem pilotar aeronaves dos bombeiros e são emprestados para outros órgãos para pilotar. As aeronaves dos bombeiros só são pilotadas pelos oficiais, que precisam fazer cursos de piloto, a um custo alto para a corporação.

A Associação de Praças do Estado de Santa Catarina (Aprasc) foi contatada para responder às questões acima levantadas, mas não respondeu a nosso e-mail.

Nota do Corpo de Bombeiros Militar de SC

Em nota, a jornalista Melina Cauduro, do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, respondeu às questões relativas ao caminhão Autoescada. A seguir, na íntegra:

Quanto a Autoescada mecânica do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), esclarecemos que esta viatura se encontra no 1º Batalhão de Bombeiros Militar, em Florianópolis.

Esta viatura é a única do estado neste modelo, inclusive uma das poucas e pioneiras no Brasil. Ela é totalmente importada, o que dificulta a compra de peças e reposição. Porém, há uma licitação para a reposição das peças, que acontecerá no próximo dia 25 de janeiro, para que a mesma possa ser ativada.

Além disso, a corporação trabalha com a prevenção, ou seja, a Diretoria de Segurança Contra Incêndio e os Serviços de Segurança Contra Incêndio de cada município atuam para que os locais possuam sistemas preventivos e normas para a segurança, reduzindo cada vez mais os riscos e não necessitando de atuação extrema. Ou seja, a viatura ela é um suporte para a atuação.

O CBMSC destaca que: o Comando-Geral da corporação jamais irá colocar a vida dos bombeiros em risco, por isso existem estudos dentro da corporação de como atender devidamente estas ocorrências de incêndio em prédios de muitos andares, e que, inclusive, nos últimos anos foram quase nulas, há um acompanhamento sobre o assunto.

Quanto a utilização de colchões infláveis, também de acordo com as estatísticas, não houve justificativa para a aquisição destes equipamentos.

Fotos: Arquivo pessoal

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